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Ninguém sabe onde termina o Brasil... 

 
Durante muito tempo, o litoral do extremo Sul do Brasil não foi ocupado pelos portugueses. Pelo Tratado de Tordesilhas, o limite ao Sul das terras portuguesas no continente americano fixava-se mais ou menos em torno da atual cidade de Laguna, em Santa Catarina. Mas ninguém sabia ao certo onde se localizavam os limites dessas terras.
 

Mapa da colônia brasileira dividida em 15 capitanias hereditárias, entre litoral e Linha de Tordesilhas, conforme estimado pelos portugueses e contestado pelos espanhóis.
 

Saiba mais: http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo01/tema74.html

 
Tratado de Tordesilhas entre Portugal e Espanha: “que se trace e assinale pelo dito mar Oceano uma raia ou linha directa de pólo a pólo; convém a saber, do pólo Árctico ao pólo Antárctico, que é de Norte a Sul, a qual raia ou linha e sinal se tenha de dar e dê direita, como dito é, a trezentas e setenta léguas das ilhas de Cabo Verde em direcção à parte do Poente, por graus ou por outra maneira, que melhor e mais rapidamente se possa efectuar contanto que não seja dado mais”
E que tudo o que até aqui tenha achado e descoberto, e daqui em diante se achar e descobrir pelo dito senhor rei de Portugal e por seus navios, tanto ilhas como terra firme desde a dita raia e linha dada na forma supracitada indo pela dita parte do Levante dentro da dita raia para a parte do Levante ou do Norte ou do Sul dele, contanto que não seja atravessando a dita raia, que tudo seja, e fique e pertença ao dito senhor rei de Portugal e aos seus sucessores, para sempre.
E que todo o mais, assim ilhas como terra firme, conhecidas e por conhecer, descobertas e por descobrir, que estão ou forem encontrados pelos ditos senhores rei e rainha de Castela, de Aragão etc., e por seus navios, desde a dita raia dada na forma supra indicada indo pela dita parte de Poente, depois de passada a dita raia em direcção ao Poente ou ao Norte-Sul dela, que tudo seja e fique, e pertença, aos ditos senhores rei e rainha de Castela, de Leão etc. e aos seus sucessores, para sempre.
 

Saiba mais: Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Meridiano_de_Tordesilhas

CRONOLOGIA DA OCUPAÇÃO: SÉCULO XVII E XVIII


1626: primeiras reduções jesuítas junto ao Rio Uruguai. 
1680: fundação da Colônia do Sacramento; tomada pelos espanhóis 
1682: retomada portuguesa da Colônia de Sacramento 
1692: migração de 260 casais açorianos para Santa Catarina (Desterro) 
1715: tratado de Utrecht devolve Colônia de Sacramento aos Portugueses e transforma Laguna em Vila.
1716-18: tentativa de consolidação da ocupação portuguesa da Colônia de Sacramento com envio de numerosa guarda e casais portugueses (continentais) originários da província de Trás-os-Montes. 1736: Coroa Portuguesa envia uma esquadra ao Rio da Prata com objetivo de terminar com cerco espanhol à Colônia do Sacramento e fundar um presídio na margem Sul do canal do Rio Grande – (“presídios”: postos militares em pontos estratégicos para defesa da colônia).
1732: concessão da primeira sesmaria no RS a Manoel Gonçalves Ribeiro, na “Paragem das Conchas” (Tramandaí)
1737: Fundação do Presídio (Forte) Jesus Maria José, dando início à Vila de Rio Grande, ponto de apoio entre Laguna e Sacramento. 
1746: Conselho Ultramarino providencia transporte de nativos da Ilha da Madeira e dos Açores para o Sul do Brasil. 
1747: criada a Freguesia de Viamão. Estabelece-se que deveriam ser enviados grupos de sessenta casais e dado um quarto de légua em quadro para cada um, em terras litorâneas não dadas em sesmarias.
1750: Tratado de Madrid consolida a permuta da Colônia do Sacramento pelos Sete Povos das Missões, território que deveria ser povoado pelos açorianos. 
1752: sessenta dos casais instalados na Vila do Rio Grande são conduzidos para o Porto de Viamão, na Sesmaria de Jerônimo de Ornellas, que ficará conhecida como Porto dos Casais, hoje Porto Alegre.
1763: tomada de Rio Grande pelos espanhóis. Casais açorianos fogem para a margem Norte da barra da Lagoa dos patos, alojando-se em São José do Norte, no Estreito e em Mostardas. 
Parte dos açorianos refugiados de Rio Grande se instalam em Viamão, que será sede do governo da capitania até 1773.
1773: Porto dos Casais – antigo Porto de Viamão, inserido nas terras de Jerônimo de Ornellas, que acolheu casais de açorianos – se torna sede da capitania, e dali eram despachados os produtos para Rio Grande pela Laguna dos Patos. 
1776: Rio Grande é recuperada pelos portugueses. 
1777: tratado de San Ildefonso reconhece a Colônia do Sacramento, a região da Campanha e as Missões como território espanhol.
1780-1800: principal ocupação açoriana do litoral Norte gaúcho: “muitos açorianos e seus descendentes provindos da Ilha de Santa Catarina (Florianópolis) e Laguna se transferem para a região de Santo Antônio da Velha Guarda e arredores” (DOMINGUES, 32) 
1801: Portugal toma de assalto os Sete Povos das Missões e reconquista a região da Campanha, definindo os limites do estado do RS como ainda hoje são reconhecidos.
 

Cana de Açúcar


A primeira terra concedida oficialmente pela coroa no estado do Rio Grande do Sul foi um título de sesmaria dado ao português Manoel Gonçalves Ribeiro, na “Paragem das Conchas”, atualmente, Tramandaí. A partir daí, muitos outros foram requerendo terras para criação de gado, povoando-se a região com sesmeiros que, logo mais, consolidariam as primeiras estâncias. 

Saiba mais: BARROSO, Vera Lúcia Maciel. “Açorianos no povoamento do Litoral Norte do Rio Grande do Sul”. In:  Presença Açoriana em Santo Antônio da Patrulha e no Rio Grande do Sul. Vera Lúcia Maciel Barroso Vera Lúcia Maciel (org). Porto Alegre: Est, 1997.

Os açorianos que chegam de Laguna à Conceição do Arroio, na virada do século XVIII para XIX, traziam “conhecimentos da cultura de cana-de-açúcar e começaram a plantá-la nos terrenos de mato situados após o solo arenoso da planície. Assim, começa a ocupação do lado ocidental do rosário de lagoas”. Muitas sesmarias são concedidas nessa área e esse avanço de colonizadores sobre o mato é que “será a matriz de conflitos interétnicos ”.
Para tomar posse e colonizar o litoral gaúcho, centenas de lagunenses, na maioria das vezes acompanhados de suas esposas e familiares, participaram de expedições, o que fez com que, em diversos momentos da sua história, Laguna ficasse com uma população reduzida a crianças, idosos e poucas mulheres.
Os açorianos vindos de Laguna teriam introduzido a cana de açúcar ao final do século XVIII (1778) e os primeiros canaviais tiveram lugar a partir das margens ocidentais da Lagoa da Pinguela, hoje pertencente ao município de Osório.
Aos poucos, o cultivo se espalhou por todo o cordão lacustre, da Lagoa dos Barros, em Osório, até o Rio Mampituba, em Torres, sempre pela face da serra voltada para as lagoas .
Em Viagem ao Rio Grande do Sul, (1820-21), encontrando-se ao Sul da Lagoa dos Barros, Auguste de Saint-Hilaire comenta que “quase todos os proprietários fazem suas plantações ao pé da serra, apesar de sua longínqua localização. Contudo, pode-se afirmar que nas primeiras cinco décadas a frente agrícola açoriana limitou-se a arranhar as bordas da serra”, não sem conflitos com os índios.
O estabelecimento de colonos no interior do território indígena só se daria de modo mais intensivo com a chegada dos colonos alemães à região, em 1826 .
 

Saiba mais: DA CUNHA, Lauro Pereira. Índios Xokleng e colonos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul (séc. XIX). Porto Alegre: Evangraf, 2012. [p. 68-69]
DA CUNHA. Índios Xokleng e colonos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul (séc. XIX). Porto Alegre: Evangraf, 2012. [p. 93]

 
MAPA DA PRESENÇA PORTUGUESA NO RS, SÉCULO XVIII:
 
A: campos de cima da serra 
B: entre o Guaíba e o litoral 
C: entre Tramandaí e São José do Norte 
D: Entre Rio Grande e Chuí 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Saiba mais:  DA CUNHA, Lauro Pereira. Índios Xokleng e colonos no Litoral Norte do Rio Grande do Sul (séc. XIX). Porto Alegre: Evangraf, 2012. [p. 68-69]
 

VACARIA DO MAR

 O gado bovino foi introduzido no Rio Grande do Sul pelas missões jesuítas, seguidas da formação das estâncias por lagunenses e vicentinos (paulistas que se deslocavam do Norte). A estância correspondeu ao abandono das atividades predadoras de abate indiscriminado de animais no campo para extrair-lhes o couro e vendê-lo a contrabandistas. A agricultura, nesses primeiros tempos, confinava-se ao plantio da erva-mate.
 

Saiba mais:  http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2002/09/12/001.htm

 
Em janeiro de 1680, Portugal funda Colônia de Sacramento para demarcar o extremo Sul de seu território, disputado pelos espanhóis do outro lado do Rio da Prata. Arrasada pelos espanhóis em agosto do mesmo ano, Sacramento foi retomada pelos portugueses em 1682, tendo como revanche espanhola a implantação de novas missões jesuíticas na margem oriental do Rio Uruguai.
Com o retorno dos jesuítas espanhóis ao Rio Grande do Sul, os indígenas foram aldeados em menor número de reduções, nas quais foram armados e treinados para a defesa contra as incursões dos paulistas e portugueses. Formaram-se, assim, os Sete Povos das Missões Orientais do Uruguai.
O gado deixado pelos jesuítas na Vacaria do Mar iria originar o rebanho da Campanha Gaúcha. Ele era constantemente reivindicado por espanhóis vindos do Sul, o que levou os padres a reservar algumas cabeças e transferir este rebanho para um local mais protegido, a nordeste do Rio Grande do Sul. Foi esta a origem da Vacaria dos Pinhais, ou Vacaria dos Campos de Cima da Serra.
 

Saiba mais:  DOMINGUES, Moacyr. “O Rio Grande antes dos Açorianos”. In: Presença Açoriana (org. Vera Lúcia Barroso). Porto Alegre: Est, 1997

 

COLONIZAÇÃO AÇORIANA

 Em 1692 chegaram 260 casais em Nossa Senhora do Desterro (Florianópolis). Entre 1748-53, duplica a população da Capitania de Santa Catarina: a migração açoriana culmina a partir de 31 de agosto de 1746, quando Dom João V ofereceu uma série de vantagens aos casais ilhéus que decidissem emigrar para o litoral do Sul do Brasil.
O edital distribuído nas nove ilhas do arquipélago listava as vantagens do convite : 
 
Haverá um grande alívio nas ilhas que não mais verão padecer seus moradores, uma vez que vão diminuir os males da indigência em que todos vivem.
Haverá um grande benefício para o Brasil, já que os imigrantes irão cultivar terras ainda não exploradas.



As nove ilhas do Arquipélago dos Açores Primeiro mapa do Arquipélago dos Açores (por Abraham Ortelius e Luís Teixeira, 1584

 
 
 
Nos termos do Edital Real, a Corte oferecia : 
 
Transporte gratuito até os sítios que se lhes destinarem para as suas habitações. E logo que chegarem aos sítios que haverão de habitar, será dada a cada casal uma espingarda, duas enxadas, um machado, uma enxó, um martelo, um facão, duas facas, duas tesouras, duas verrumas, uma serra com sua lima e travadeira, dois alqueires (27,5 litros) de sementes, duas vacas e uma égua.
 

Saiba mais: http://www.tainhanarede.com.br/navegadores/navegantes/de-ilha-para-ilha

 
No primeiro ano se lhes dará a farinha que bastar para o sustento dos homens e das mulheres, mas não às crianças que não tiverem 7 anos e, aos que tiverem até os 14, se lhes dará quarta e meia de alqueire para cada mês. Se dará a cada casal um quarto de légua em quadra, para principiar as suas culturas, sem que se lhes levem direitos nem salários algum por esta sesmaria. E quando, pelo tempo adiante tiverem família com que possam cultivar mais terra, a poderão pedir ao governador do distrito.

O Monte Brasil, costa Sul da Ilha Terceira, de onde vieram muitos açorianos

Até meados do século XVIII, habitavam as terras do litoral rio-grandense esparsos descendentes de paulistas, mestiços e portugueses que formaram as primeiras estâncias, apoiados pela presença do gado selvagem junto ao mar.
 

Saiba mais: SILVA, Marina Raymundo. Navegação Lacustre Osório-Torres. Porto Alegre: D.C. Luzatto, 1985. Referência à nota, pg. 14: BASTOS, Manuel, Estevão Fernandes. “A Estrada da Laguna ao Rio Grande”.

 
Até então, o Rio Grande do Sul não despertara nenhum interesse comercial ou exploratório no governo português, mas, agora, abria-se uma perspectiva econômica que moldaria sua vocação: a criação e venda de gado e seus produtos, principalmente do couro, destinado ao mercado das Minas Gerais para atender a demanda por produtos de couro para transporte do ouro, bem como de alimentos em razão do apogeu do Ciclo do Ouro.
 

Saiba mais: DOMINGUES, Moacyr. “O Rio Grande antes dos Açorianos”. In: Presença Açoriana (org. Vera Lúcia Barroso). Porto Alegre: Est, 1997

 
Em 1752, colonos vindos dos Açores são enviados ao Presídio de Rio Grande (Forte de Jesus Maria José), na margem Sul da barra da Lagoa dos Patos. 
A partir dali, intensifica-se o ciclo de imigração açoriana e os colonos distribuem-se ao longo do litoral.
Em 1773, tem início o povoamento da “Estância da Serra” (Osório) por casais açorianos, (“casais de número”). Em 1774, as terras da Estância ainda estavam arrendadas pela Coroa que determina confiscá-las para assentar os casais. Havia lá uma capela, fundada em 1742, por Antônio Gonçalves dos Anjos, dedicada a Nossa Senhora da Conceição.
 

Saiba mais: SILVA, Marina Raymundo. Navegação Lacustre Osório-Torres. Porto Alegre: D.C. Luzatto, 1985. Referência à nota, pg. 14: BASTOS, Manuel, Estevão Fernandes. “A Estrada da Laguna ao Rio Grande”.

 
O plantio de trigo no litoral – projeto inicial da coroa para os novos colonos –não vingou satisfatoriamente, sendo um fator a impulsionar parte dos açorianos para o interior do estado, contribuindo para o povoamento do Vale do Jacuí e região central.
Em 1820, os açorianos instalados no litoral abandonaram a triticultura para voltar-se para a pecuária, motivados pelo crescimento da indústria do charque, implantada por volta de 1780, pela iniciativa de José Pinto Martins, nos arredores de Pelotas e, em seguida, em Santo Amaro e Triunfo.
 

Saiba mais: http://educaterra.terra.com.br/voltaire/brasil/2002/09/12/001.htm

 
Com o abandono do litoral pelos tropeiros que passaram a frequentar o Caminho das Missões a partir do último quartel do século XVIII (1775-1800),houve um avanço do cultivo da cana-de-açúcar e comercialização de seus derivados, especialmente da aguardente. Além dela cultivaram também a mandioca e hortaliças para subsistência e criaram gado.
Por volta de 1800, nas palavras do Sargento mor Domingos José Marques Fernandes: “As melhores terras da Capitania do Rio Grande de São Pedro do Sul para a agricultura, infeliz e lastimosamente, se acham incultas e perdidas. As terras da Serra Geral são as mais excelentes que há (...) não só produzem toda espécie de legumes, mas também, cana-de-açúcar, com vantagem a todas as outras terras do Brasil na produção deste gênero”.
 

Saiba mais: BARROSO, Vera Lúcia Maciel. “Açorianos no povoamento do Litoral Norte do Rio Grande do Sul”. In: Presença Açoriana em Santo Antônio da Patrulha e no Rio Grande do Sul. Vera Lúcia Maciel Barroso Vera Lúcia Maciel (org). Porto Alegre: Est, 1997.